Após perderem a laringe, pacientes voltam a falar com aparelho no Hospital de Câncer
Além da entrega dos equipamentos, foi realizada a primeira apresentação do Coral Novos Tons, com pacientes do Hospital de Câncer Alfredo Abrão
| MIDIAMAX/MURILO MEDEIROS
Dois pacientes que retiraram as cordas vocais e a laringe por conta de câncer voltaram a falar na manhã desta terça-feira (1°), no HCAA (Hospital de Câncer Alfredo Abrão). Eles receberam um equipamento que produz som a partir da vibração da garganta e arriscaram as primeiras palavras em um evento emocionante, com a participação de um coral composto por pessoas em tratamento oncológico na instituição.
Ainda aprendendo a utilizar o aparelho portátil, chamado laringe eletrônica, Adauto José Wüsch, de 51 anos, disse: “bom dia', “Adauto' e “eu estou muito feliz'. Apesar das poucas palavras, o sorriso de quem teve medo de nunca mais falar, confirmou a alegria desta nova fase. “É uma conquista, a gente não esperava ter essa possibilidade dele poder se comunicar de novo”, afirma Gabriela Fernandes Wüsch, autônoma de 24 anos, filha de Adauto. Ele fez a cirurgia de retirada da laringe e cordas vocais em janeiro deste ano.
Agora, o próximo passo é um tratamento fonoaudiológico para aprender a usar o equipamento e encontrar o ponto certo de contato com o pescoço. “Ele funciona como se fosse um amplificador, quando se coloca o aparelho perto do pescoço. A voz sai um pouco metalizada, mas eles conseguem se comunicar perfeitamente e ter maior qualidade de vida”, explica o fonoaudiólogo do HCAA, Anderson Borges de Carvalho. O SUS (Sistema Único de Saúde) custeia e entrega gratuitamente laringes eletrônicas a pacientes em tratamento de câncer de cabeça e pescoço.
Coral Novos Tons
No mesmo evento, foi realizada a primeira apresentação do Coral Novos Tons, com pacientes oncológicos do hospital, inclusive alguns usando laringes eletrônicas, com suas vozes especiais. Entre lágrimas de emoção, eles cantaram a música “O tempo não espera ninguém”, do cantor sul-mato-grossense Michel Teló.
Livre do câncer há dois anos, Alécio Boscardin, comerciante de 74 anos, foi um dos que cantaram com a laringe eletrônica nesta manhã. “É maravilhoso compartilhar com o coral, apesar de não cantar bem. É bom para passar o tempo e me sentir mais gente, com muita felicidade. O aparelho foi minha salvação, porque agora eu consigo trabalhar e me comunicar com todo mundo. Mudou 99% da minha vida”, afirma. Ele já utiliza o aparelho há mais tempo e, por isso, consegue conversar normalmente.
Aldoir Pedro Teló, 73 anos, membro do conselho do Hospital do Câncer Alfredo Abrão e pai de Michel Teló, também ouviu à apresentação do coral. “Soube do evento e vim prestigiar. Eu fiquei feliz que a música escolhida é a do meu filho, estou muito feliz”, disse.
Julho Verde
O mês de julho é voltado à conscientização e prevenção contra o câncer de cabeça e pescoço. O câncer de laringe é o mais comum entre os tumores malignos de cabeça e pescoço e os principais acometidos são homens acima de 40 anos, segundo o Ministério da Saúde. Os principais fatores de risco para a ocorrência deste câncer são o tabagismo e o alcoolismo.
Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer aponta que, entre 2023 e 2025, estão previstos 7.790 casos novos de câncer de laringe no país e a incidência é de 3,59 por 100 mil habitantes. O Hospital do Câncer Alfredo Abrão tem cerca de 300 casos de câncer de cabeça e pescoço em tratamento e, conforme a instituição, as chances de cura ultrapassam 80% quando a doença é detectada no início.
“A gente sempre tem que comemorar a vida. Esse diagnostico não é o fim, muito pelo contrário, é um alerta para valorizarmos o que nós temos. Nós conseguimos curar o câncer de cabeça e pescoço, se a pessoa aderir ao tratamento”, afirmou Rosana Leite, secretária municipal de saúde e médica de cirurgiã de cabeça e pescoço. Ela anunciou ainda que a Sesau promoverá uma campanha de prevenção e diagnóstico deste tipo de câncer em uma praça da Capital, no dia 30 de julho.
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