Ameaçado por cortes, Sistema S é epicentro cultural e profissional de MS

Superministro da Economia do governo Bolsonaro declarou que o sistema S pode sofrer corte de até 50%. Principal oferta de cultura em Mato Grosso do Sul, instituições do comércio preveem “desaceleração em cadeia' na economia de MS

| CAMPO GRANDE NEWS / IZABELA SANCHEZ


Sesc Cultura, em Campo Grande, a última unidade inaugurada pelo Sesc na Capital (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Foi na década de 1940, no estado de São Paulo, que empresários da indústria e do comércio resolveram resolver a falta de formação qualificada da mão-de-obra e criaram as primeiras organizações do que hoje é conhecido como Sistema S, formado por 9 instituições de caráter privado, patronais, com o objetivo de promover formação profissional, assistência social, lazer, cultura e educação. 

Após 78 anos, o Sistema S é um gigante que movimenta milhões em atividades para indústria, comércio, agricultura, transporte, cooperativas, micro e pequenas empresas. O governo federal sustenta que a 'caixa preta' dessas entidades precisa ser aberta e o s uperministro de Economia do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, já anunciou que vai “passar a faca', com cortes de até 50% na contribuição que as empresas precisam repassar ao Sistema S.

Quem comanda as 9 empresas que compões essa estrutura, é claro, saiu em defesa da verba completa, apresentando tudo que garantem já ter feito regionalmente.

Em Mato Grosso do Sul, as instituições do comércio ocupam uma série de atividades que movimentam a economia e qualificam o mercado de trabalho. Sesc e Senac investiram, em 2018, R$ 66 milhões no Estado. Diretora do Sesc em Mato Grosso do Sul, Regina Ferro afirma que o Sesc arrecadou, por meio das contribuições compulsórias, R$ 34 milhões em 2018, uma média de arrecadação mensal de R$ 2,8 milhões. Já o Senac, segundo o diretor Vitor Mello, arrecadou R$ 25 milhões durante 2018, com uma média de arrecadação mensal de R$ 1,8 milhão.

A receita própria do Sesc, em Mato Grosso do Sul, foi de R$ 19 milhões e a do Senac, R$ 7,3 milhões. Os números, segundo os gestores, financiam toda a estrutura das instituições e a oferta de serviços, incluindo os que são gratuitos.

O Sesc tem 15 unidades em Mato Grosso do Sul. Além da unidade administrativa, são 14 unidades físicas e 4 móveis - que oferecem serviços de odontologia, saúde da mulher e biblioteca -. Em Campo Grande são 8 unidades e no interior o Sesc está presente em Aquidauana, Bonito, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas.

Com 455 empregos gerados de forma direta, uma das ações do Sesc é na área de assistência. De forma gratuita, há trabalhos voltados aos idosos, com aulas de canto e coral, dança e oficinas artísticas. Na educação, são 322 alunos no ensino infantil e 1122 no fundamental, em Campo Grande. Já em Três Lagoas, são 136 alunos da educação infantil e 222 da fundamental, além de 41 alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos),

Há, ainda, academias distribuídas na Capital e no interior, além de hotel e ações de saúde. A última oferece atendimento odontológico, exames relacionados à saúde da mulher e consultas nutricionais.

O Senac, por outro lado, é referência em formação técnica e em Mato Grosso do Sul é conceituado, especialmente, na área de saúde. São 9 unidades no estado, em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Naviraí, Três Lagoas e Corumbá.

Os cursos abrangem diversos segmentos: gestão e negócios, saúde e beleza, turismo, hospitalidade e lazer, meio ambiente, comunicação, arte, design e moda, segurança, informática e tecnologia, entre outros.

Em 2018 foram 17.500 atendimentos, com 2.063.180 horas efetivas. Diretor do Senac, Vitor Mello explica que nas ações foram destinados atendimentos a 3.818 alunos no PSG (Programa Senac de Gratuidade): 1.014.000 horas efetivas.

Em Mato Grosso do Sul, esses números implicam atividades que não são, muitas vezes, oferecidas pelo poder público. O destaque é para a cultura e a formação técnica profissional.

Centro da cultura e formação profissional de MS - As unidades do Sesc são, hoje, praticamente os únicos locais onde ocorrem atividades culturais em Campo Grande. Em 2018, uma nova unidade foi inaugurada, o Sesc Cultura, na Avenida Afonso Pena, que junta-se ao Sesc Morada dos Baís na oferta de shows, apresentações de teatro e até cursos de arte.

As unidades receberam mais de 16 mil pessoas em 2018. Foram 31 apresentações de dança, 45 de teatro, 13 exposições de artes visuais, 154 apresentações musicais, 72 de literatura, 25 cafés literários e 351 sessões de cinema.

O que acontece com a cultura, então, se os cortes ocorrerem? Para a diretora de gestão corporativa do Senac, Michelle Annita Seibert Kist, a oferta de ações pode diminuir, especialmente as gratuitas.

“A gente fala que o país vive sem cultura, a gente precisa desenvolver a cultura. O que a gente fala é de lazer, de qualidade de vida, eles [governo] não vão conseguir fazer. Educação formal, não vai conseguir ter a mesma qualidade, projetos sociais, a prefeitura não faz isso, nós desenvolvemos e mudamos a vida dessas pessoas', comenta.

Para a gestora, os serviços representam a formação “completa do ser humano'. “Não ter cultura e lazer torna as pessoas abitoladas. Não tinha para onde levar as famílias, o Sesc se propôs a isso, fez diversos programas e projetos para atender a população. Tem a Morada dos Baís, que é um celeiro de cultura. É o ser holístico. Se a gente corta esse recurso, com certeza o Sesc vai diminuir. Se não tiver recurso, não vai conseguir fazer as ações no mesmo volume'.

“E aí vai ficar descoberto porque o governo não vai fazer. Perde-se muito na sociedade, querendo tampar o rombo [alegação do ministro], mas não vão conseguir equalizar as contas públicas, não vão fazer as ações da sociedade e nós vamos parar o Brasil por conta disso. É dar um tiro no pé', opina.

Uma reação em cadeia – Outro ponto levantado pela diretora do Senac é o efeito em cadeia na economia de Mato Grosso do Sul. Ela destaca o papel da formação técnica para a oferta de trabalho qualificado no estado.

“Quando a gente fala em países desenvolvidos existe uma importância muito grande para educação técnica. Trabalhamos com aprendizagem, capacitação. Nós somos muito fortes na área de saúde, em enfermagem, análises clínicas, por exemplo, e somos fortes na área de gastronomia', destaca.

Michelle explica que a receita própria representa apenas 30% dos recursos adquiridos por meio das contribuições compulsórias. “É um impacto gigantesco, não conseguimos ter a estrutura que temos sem essa receita. A gente está analisando com cuidado todo esse movimento. A ruptura desses 50% trará um impacto para diminuir a gratuidade e quando a gente pensa em termos de empresa, contribuímos com 270 famílias, são mais de 3 mil fornecedores, toda uma cadeia impactada'.

O impacto, avalia, ocorre até no governo. “Eles vão reverter esses tributos para a educação? A perda para o Brasil é muito grande, o governo não tem perna pra isso. Vai ser um impacto em cadeia muito grande. Vai desacelerar quando pensamos na cadeia produtiva, vai impactar o orçamento doméstico, vai ter fornecedores com menos demanda, empresários que vão ter que demitir porque tem uma demanda maior do estado, porque vai parar de existir o investimento'.

O que é o sistema S?

São 9 entidades, todas com o nome iniciado com a letra S: Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Sesi (Serviço Social da Indústria), ligadas à CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e Sesc (Serviço Social do Comércio)e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), ligadas à CNC (Confederação Nacional do Comércio).

 

Além delas, ligado ao CNA (Confederação Nacional da Agricultura), há o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Sob responsabilidade da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) há o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) e à CNT (Confederação Nacional do Transporte), existe o Sest (Serviço Social de Transporte) e o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte). Por último, ainda há o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

 

Privadas, a maioria delas gera receita própria, mas são mantidas, principalmente, com as contribuições e tributos pagos pelas empresas às confederações, na folha de pagamento. Esses tributos são recolhidos pela Receita Federal e repassados às instituições. As alíquotas de contribuição variam de 0,2% até 3%.

Quer receber notícias do Site MS NEWS via WhatsApp? Mande uma mensagem com seu nome para (67) 9.9605-4139 e se cadastre gratuitamente!


LEIA MAIS

Com R$ 2,2 bilhões do FCO para MS, Showtec abre calendário de investimentos> Maracaju
Com R$ 2,2 bilhões do FCO para MS, Showtec abre calendário de investimentos
Feira é oportunidade para investir em máquinas, ferramentas para correção do solo, dentre outras tecnologias

Investigada por tramar atentado não é alvo da Operação Themis, diz defesa> Mato Grosso do Sul
Investigada por tramar atentado não é alvo da Operação Themis, diz defesa
Defesa de Maika Nunes admitiu primeiro inquérito do Gaeco, mas nega envolvimento de cliente com o tráfico de drogas

Palhaço diz que não se matou porque faca ficou cravada no peito de vítima> Campo Grande
Palhaço diz que não se matou porque faca ficou cravada no peito de vítima
Silvana foi morta na quarta-feira (9) em uma quitinete na Rua das Valquírias. Porém, o corpo foi encontrado dois dias em terreno baldio

Em MS, 6,4 mil empresas devem R$ 136 mi e são excluídas do Simples Nacional> Enonomia
Em MS, 6,4 mil empresas devem R$ 136 mi e são excluídas do Simples Nacional
Empresas foram notificadas em setembro a pagar débitos com a Receita; retorno ao regime especial depende de quitação dos valores

Jorge Mercado Atacarejo informa as ofertas para hoje> É BARATO DE VERDADE!
Jorge Mercado Atacarejo informa as ofertas para hoje
Além de comprar barato, um lugar de fazer amigos!!!

Águia Negra vence Inter Flórida por 3 a 0> Amistoso

Resumo de Novelas: Samuca propõe fugir com Marocas> Na Telinha
Resumo de Novelas: Samuca propõe fugir com Marocas
Confira os resumos das novelas desta quarta-feira (16)

Trio que matou e deixou corpo de rival amarrado é condenado a 44 anos de prisão> Mato Grosso do Sul
Trio que matou e deixou corpo de rival amarrado é condenado a 44 anos de prisão
Sílvio Fortes, de 31 anos, foi levado até um matagal, ás margens da MS-430, onde foi executado com vários tiros. O trio ainda tentou arrancar a ca

Produtor é multado após 12 trabalhadores se contaminarem com agrotóxico> Mato Grosso do Sul
Produtor é multado após 12 trabalhadores se contaminarem com agrotóxico
Além da multa de R$ 10 mil o fazendeiro também pode responder por crime de poluição, cuja as penas variam de seis até quatro anos de prisão

Em Naviraí, polícia prende homem que foi condenado por estuprar filha de 3 anos> Ação
Em Naviraí, polícia prende homem que foi condenado por estuprar filha de 3 anos
O caso aconteceu em 2011. O estupro foi constatado por meio de um laudo técnico psicossocial realizado na época

Reinaldo e ministra Tereza Cristina participam de abertura do Showtec> Evento rural
Reinaldo e ministra Tereza Cristina participam de abertura do Showtec
Evento segue até a próxima sexta-feira e discute desafios do agronegócio e novas tecnologias para o Cerrado

Procon recomenda que pais verifiquem se lista de material escolar tem “abusos'> Mato Grosso do Sul
Procon recomenda que pais verifiquem se lista de material escolar tem “abusos'
Itens de uso da escola, como giz ou materiais de escritório, já integram as contas para definir o valor da mensalidade, informa a Superintendência

Justiça manda universidade indenizar alunos por cobrança indevida em MS> Decisão
Justiça manda universidade indenizar alunos por cobrança indevida em MS
Ação foi proposta pela Defensoria Pública após 215 estudantes procurarem a instituição e reclamarem sobre valores extras exigidos pela institui

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE