Encontrada em sacola, bebê ganha o nome de Ester e segue internada no HU
Bebezinha está sendo amamentada com leite materno do banco de leite do Hospital Universitário e não precisou ir para UTI
| PAULA MACIULEVICIUS BRASIL / CAMPO GRANDE NEWS
Uma das enfermeiras que estava de plantão no Hospital Universitário deu o nome de 'Ester' para a bebê encontrada ontem em uma sacola plástica no Bairro Guanandi, em Campo Grande. A criança está internada no pronto socorro pediátrico do HU e desde a chegada tem ganhado carinho de todo o hospital.
Segundo reproduziu a assessoria de imprensa do HU, 'está todo mundo apaixonado na menina'. A equipe médica acredita que ela tenha nascido ontem mesmo (29), data em que foi encontrada. Ester, que significa 'estrela' ou 'aquela que brilha', também é um nome que aparece na Bíblia na figura de uma rainha persa muito corajosa responsável por proteger os judeus de um massacre.
A recém-nascida está bem, dentro de um quadro clínico estável, e não precisou ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ainda de acordo com o hospital, é um bebê a termo, ou seja, nasceu dentro do tempo previsto da gestação e não é prematura, mas é considerada de baixo peso.
Com 2.100 quilos, a criança está sendo amamentada com leite materno do banco de leite do próprio hospital e segue internada sem previsão de alta, porque ainda precisa fazer exames.
O Conselho Tutelar está acompanhando todos os procedimentos e, após a alta, será levada para um lar temporário.
Encontrada - Foi uma avó que passeava com o netinho de 10 meses que viu a sacolinha com a recém-nascida na calçada da Rua Cocal, no Guanandi II, nessa sexta-feira (29). “Foi coisa de Deus eu ter encontrado ela. Ela poderia se sufocar, poderia estar chovendo, poderia ter acontecido tanta coisa. Graças a Deus ela está viva', disse Roseli da Silva, de 48 anos, ao Campo Grande News.
Ela afirmou que seguiu caminhando em direção à Rua Clevelândia e na volta, cerca de 30 minutos depois, viu a sacola se mexer e em seguida escutou um choro. “Ela chorava, mas pouquinho. Fiquei apavorada. Chamei um vizinho que estava perto e depois toquei a campainha da casa onde a criança estava em frente', explicou.
A dona da casa não viu ninguém, porém disse que chegou a escutar os cachorros latirem. Ambas levaram a bebê para dentro do imóvel e colocaram uma fralda nela. “Depois a vizinha ligou para um advogado para saber o que deveria fazer e depois levou ela no hospital', afirmou.
A Polícia Civil procura por câmeras de segurança que possam ter flagrado o momento em que a criança é deixada. O caso está sendo investigado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).
Entregar filho para adoção não é crime - Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. Em 2017, a Lei 13.509/2017, chamada de “Lei da Adoção', trouxe alterações ao Estatuto da Criança e do Adolescente e incluiu a chamada “entrega voluntária', por meio da qual a mãe ou gestante faz a entrega do filho ou recém-nascido para adoção por meio de um procedimento acompanhado pela Justiça.
Sancionada em novembro do ano passado, existe também uma lei estadual que obriga a divulgação de informações afixadas em lugar visível sobre como entregar um filho para adoção em todas as unidades de saúde e hospitais.
No Tribunal de Justiça do Estado, desde 2011 a Vara da Infância e Juventude tem o projeto 'Dar a luz' que acolhe gestantes que desejam entregar seus bebês para adoção com escuta psicológica e de assistência social, além de todo apoio legal para a entrega.
Interessados em conhecer um pouco mais sobre o projeto podem procurar a Vara da Infância, Juventude e do Idoso de Campo Grande, no Fórum. O telefone é o: 3317-3548 e o endereço é Rua da Paz, 14 - Térreo, Bloco 02.
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