Escolas de MS ficarão fechadas por um ano

Volta às aulas em março será de forma remota; instituições permanecerão fechadas até abril, quando será implantado o ensino híbrido no Estado

| CORREIO DO ESTADO / ANA KARLA FLORES, DAIANY ALBUQUERQUE


O governo do Estado decidiu que o retorno das aulas na Rede Estadual de Ensino (REE) será de forma completamente remota. 

As aulas terão início na segunda-feira e seguirão até o fim de março com os alunos fora das escolas. 

Com isso, Mato Grosso do Sul completará um ano sem que as instituições de ensino público recebam estudantes. 

A previsão é de que o retorno presencial fique para abril.

O anúncio foi feito na tarde de ontem na Secretaria de Estado de Governo (Segov) pela titular da Secretaria de Estado de Educação (SED), Maria Cecília Amendola da Motta, após reuniões feitas com os professores, o Comitê de Operações Especiais de Mato Grosso do Sul (COE-MS) e o Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir).

“A Rede Estadual de Ensino está pronta para retornar às aulas desde novembro do ano passado, organizada, planejada, com todo o kit comprado. 

Fizemos reuniões com o Prosseguir e com o COE também, e, como a educação é um serviço essencial, poderíamos fazer presencial a partir de segunda-feira. 

Porém, o Estado trabalha muito bem com o município a questão da colaboração, e, tendo em vista as eleições e os novos prefeitos que chegaram, alguns não estão organizados, porque é necessário para o ensino híbrido que todos os alunos tenham todos os equipamentos na escola. 

Então, pensando nessa questão, o Estado resolveu atender ao pedido da maioria dos prefeitos e iniciar de forma híbrida só no mês de abril. 

No mês de março, faremos as aulas remotas', explicou Maria Cecília.  

Segundo a secretária, as duas primeiras semanas serão para que os professores conheçam os seus alunos. “Para que se faça um diagnóstico. Por que como se prepara uma aula remotamente se você não conhece o aluno, não conhece em que estágio ele parou? Então dessa forma estamos organizados”, completou.

O superintendente de Orçamento e Finanças da SED, Helio Queiroz Daher, explicou que as duas primeiras semanas serão de atendimento presencial nas escolas, mas não com aulas, e sim com uma acolhida, uma forma dos docentes diagnosticarem como está o aprendizado dos estudantes.  

“Todos os estudantes serão recebidos presencialmente em todas as nossas escolas, vão ter duas semanas de acolhimento. 

A gente entende que esse momento, apesar de não ser a aula presencial nem a híbrida, é necessário, porque na nossa concepção não é possível começar a aula remota sem que o estudante tenha pelo menos um primeiro contato com a escola. 

Vale lembrar que muitos desses estudantes vieram para as nossas escolas agora, vieram de escolas municipais, de outros estados, de ensino privado. 

Eles precisam pelo menos entender, conhecer o professor, para que, aí sim, possam estudar de forma remota”, explicou.

Ainda conforme o superintendente, essa acolhida presencial será feita por meio de escalas montadas pelos diretores das escolas com professores e coordenadores das instituições. Serão grupos pequenos, e os alunos só vão ao local um dia nessas duas semanas. 

“Agora, simplesmente começar a aula remota sem ter pelo menos um primeiro contato vai ser muito prejudicial para o processo de aprendizado. [Essa medida é] Justamente para evitar algo que nos deixa muito preocupados, que é a evasão. A família precisa acreditar na escola, precisa acreditar que a escola faz parte da rotina do seu filho”, completou.

Uma exceção são as escolas técnicas, que exigem prática. 

Nesses locais haverá aulas presenciais. 

“Esse mês de março vai ser um exercício de como atender a criança, de como entregar a merenda, como trabalhar com turmas separadas. No mês de abril a gente vai começar de forma híbrida, a não ser que tenha um surto [de Covid-19]. Mas, se estiver como está hoje, começamos em abril”, salientou a secretária Maria Cecília.

A decisão sobre o formato vem a quatro dias do retorno das aulas, até então a Pasta seguia na indecisão pelo retorno remoto ou de forma híbrida, com parte dos alunos nas escolas e a outra metade em casa.  

As aulas presenciais foram suspensas no dia 23 de março de 2020 por causa da pandemia da Covid-19. Desde esse dia, as atividades passaram a ser feitas de forma remota em todas as escolas de Mato Grosso do Sul, tanto municipais quanto estaduais, o que aconteceu até o fim do ano passado.

PROFESSORES

Segundo a secretária de Educação, os servidores com mais de 60 anos ou com comorbidades não estarão em sala de aula. 

Maria Cecília também salientou que espera que os professores sejam vacinados contra a Covid-19, mas ressaltou que essa é uma decisão que precisa ser tomada nacionalmente, por meio do Plano Nacional de Imunização (PNI), já que é o Ministério da Saúde quem envia as doses e orienta para quais grupos devem ser destinadas.

Os docentes, no entanto, afirmam que não pretendem retornar para as salas de aula antes da vacinação. 

Em assembleia da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems), na terça-feira, a maioria dos profissionais foi contrária ao retorno agora. 

A Federação ainda não divulgou o que fará sobre a decisão do governo.

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