Com a piora da pandemia, apenas UFMS insiste no ensino híbrido

Após decisão, professores ameaçam realizar greve; UEMS e UFGD manterão aulas remotas

| CORREIO DO ESTADO / BEATRIZ MAGALHãES


FMS decidiu retornar com o ensino híbrido em 2021 e professores contestaram decisão - Foto: Gerson Walber

A decisão da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) pelo retorno das aulas no dia 15 de março de forma híbrida, em que as práticas serão realizadas presencialmente, tem provocado os professores da universidade, que se posicionaram de forma contrária ao parecer divulgado em portaria. 

Outras universidades públicas afirmam que continuarão com o ensino remoto durante este semestre.  

Com a decisão da UFMS, os professores da instituição se posicionaram contra a determinação por considerarem negligente. Os acadêmicos se unem aos mestres, em opinião que diverge do posicionamento da reitoria da universidade.

Na quarta-feira (3), os professores se reuniram para discutir a possibilidade de uma greve sanitária. A Assembleia foi convocada pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (ADUFMS) e, de acordo com o presidente Marco Aurélio Stefanes, o único caminho é fortalecer o máximo possível as informações para toda a classe.  

“Esse movimento se dá em função de uma falta de comunicação entre a ADUFMS e a reitoria da universidade. No ano passado, em dezembro, emitimos dois ofícios, sendo um para a reitoria e outro para a pró-reitoria de gestão de pessoas, solicitando informações de como seria o procedimento da universidade para 2021, em particular do primeiro semestre, e esses ofícios não foram respondidos', afirma Marco Aurélio.

“Recentemente, a reitoria emitiu uma portaria de um modelo chamado de sistema híbrido. Esse modelo, do ponto de vista pedagógico, da formulação de plano de ensino, não tem embasamento educacional claro a respeito do que deve ser feito efetivamente. Isso faz com que os professores fiquem desorientados de como deve ser esse retorno e o que significa esse ensino híbrido', argumenta o professor.

Os alunos também se posicionaram contrários à decisão da reitoria. O acadêmico Lucas Borba, 20 anos, diz que não se sente seguro com o retorno das aulas. 

“Acredito que este seja o pior momento para a volta às aulas. Não concordo com o estudo híbrido. O sistema de saúde está em colapso, muitos universitários usam o transporte público, por exemplo. Esse retorno seria um risco. Se na universidade federal já faltava até papel higiênico, imagino que também faltará álcool em gel', acredita o estudante do 5º semestre de Engenharia da Produção.

O presidente da Adufms afirma que, mesmo com autonomia, a universidade se dispôs ao retorno híbrido. “Sem dúvidas que o negacionismo por parte do governo federal é uma parte importante do problema, à medida que o MEC soltou um documento determinando um retorno das atividades presenciais de todos os servidores federais. Agora, um grande número de universidades tem se baseado em sua autonomia universitária para definir seus respectivos calendários acadêmicos e suas atividades. A nossa surpresa foi que aqui na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul isso não ocorreu, justamente no momento mais grave da pandemia', coloca o professor.

“Nós entendemos que é possível fazer, dentro das condições razoáveis, o ensino emergencial de forma remota, sem precisar recorrer a essa questão da presença na instituição, que não faz nenhum sentido. Nem do ponto de vista prático, nem no de saúde', argumenta Marco Aurélio.  

ENSINO REMOTO

Em contrapartida, outras universidades públicas do Estado mantêm o ensino a distância. A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) informou que as aulas serão em regime remoto, com o retorno do calendário acadêmico 2020.1 no dia 8 de março.  

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) também informou que a volta das aulas será no sistema de ensino remoto, no dia 5 de abril, em todas as 28 cidades do Estado em que está presente, e informa ainda que a decisão pode ser reavaliada ao longo do semestre.  

Até o fechamento da reportagem, não houve retorno da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul sobre a volta das aulas presenciais.

PARTICULARES

Assim como a UFMS, as instituições privadas de Ensino Superior também voltarão com aulas presenciais, apesar da alta no número de casos e internações pelo coronavírus.  

De acordo com a assessoria da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a instituição fará o retorno gradativo das aulas presenciais a partir da primeira quinzena de março. As aulas poderão ser presenciais ou remotas e acontecerão de forma simultânea. O aluno escolhe qual é a melhor opção para a sua realidade.  

Quanto à Uniderp, o retorno presencial também será de forma gradativa, seguindo as diretrizes do decreto municipal, do Ministério da Educação (MEC), das autoridades de saúde e das decisões governamentais.

A autorização da Prefeitura de Campo Grande é para que até 50% da capacidade das salas de aula seja utilizada, respeitando as normas de biossegurança, como uso de máscara e disponibilidade de álcool em gel.

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