Tomate, carne e luz mais caros colocam Campo Grande no topo da inflação

Cidade registrou o maior IPCA do Brasil em maio, segundo levantamento divulgado pelo IBGE

| JOSé CâNDIDO / CAMPO GRANDE NEWS


Em maio, a alimentação no domicílio registrou variação de 1,65%, com influência das altas da batata-inglesa, do tomate e da cebola - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Campo Grande teve, em maio, a inflação mais alta do Brasil entre as cidades pesquisadas pelo IBGE, refletindo diretamente no orçamento das famílias e acendendo um sinal de alerta sobre o custo de vida na Capital. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, avançou 1,31% no município, mais que o dobro da média nacional, que ficou em 0,58%.

O desempenho colocou Campo Grande empatada com Aracaju no topo do ranking nacional da inflação mensal. O principal responsável pelo resultado foi o forte aumento da energia elétrica residencial, que subiu 13,56% após reajuste tarifário autorizado em abril. O tomate, outro item de peso na cesta de consumo das famílias, acumulou alta de 22,61% apenas em maio.

Enquanto o índice nacional mostrou desaceleração em relação a abril, a realidade do consumidor campo-grandense foi oposta. A combinação entre aumento da conta de luz, alta dos alimentos e reajustes em itens essenciais fez a Capital sentir de forma mais intensa a pressão inflacionária.

Os alimentos continuam sendo um dos principais motores da inflação. Em todo o país, o grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33% e respondeu por metade da inflação do mês. Entre os produtos que mais subiram estão a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%), a cebola (16,80%) e as carnes (1,39%). Segundo o IBGE, a menor oferta de produtos agrícolas e o impacto dos custos de transporte ajudaram a impulsionar os preços.

Além dos alimentos, a habitação foi outro fator decisivo. Nacionalmente, o grupo avançou 1,22%, influenciado principalmente pela energia elétrica residencial, que teve alta média de 3,67%. Em Campo Grande, entretanto, o impacto foi muito maior devido ao reajuste tarifário de 12,36% aplicado à concessionária local, refletindo em aumento efetivo de 13,56% nas contas dos consumidores.

Os reflexos foram ainda mais severos para as famílias de menor renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, registrou alta de 1,49% em Campo Grande, também a maior do país. Nesse caso, além da energia elétrica, o aumento das carnes, que avançaram 2,61%, teve peso significativo no resultado.

No cenário nacional, o INPC ficou em 0,65% em maio e acumula alta de 3,36% no ano. Já o IPCA soma 3,20% nos cinco primeiros meses de 2026 e 4,72% nos últimos 12 meses.

Nem todos os grupos registraram aumento. O setor de transportes foi o único a apresentar queda no país, recuando 0,46%, impulsionado pela redução dos preços dos combustíveis. A gasolina caiu 1,46%, o etanol recuou 6,20% e o diesel teve baixa de 2,34%. Ainda assim, o alívio nos postos não foi suficiente para compensar o peso da conta de luz e da alimentação no orçamento dos consumidores.

Os números divulgados pelo IBGE mostram que, embora a inflação brasileira tenha perdido força em maio, Campo Grande viveu um cenário diferente. Com aumentos concentrados em despesas essenciais, a Capital fechou o mês com o maior avanço de preços do país, tornando mais caro desde o preparo das refeições até o pagamento das contas básicas da casa.

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